sexta-feira, 13 de maio de 2011

Feliz dia das mães

Neste ano, foi no dia 8. O dia estava lindo, ensolarado, céu limpo.
De fato, ter um dia para celebrar ser mãe é bem especial. Não sei se isso se perde com o tempo, reduzindo-se a esperar por um presente, espero que não...
            Sempre digo que o que se aprende com irmão, não se aprende em nenhum outro tipo de relação. Pensando bem, cada tipo de relacionamento tem suas lições “exclusivas”: com meu pai, minha mãe, minha irmã, cada um dos meus irmãos, sobrinh@s, amig@s, namorados. Agora, tenho aprendido as lições com nosso filho.
Com o Zé aprendi a curtir mais a vida e viver um dia de cada vez foi conseqüência natural. Vivencio o que havia estabelecido como teoria: o fator limitante dos relacionamentos é a compatibilidade dos defeitos. É no convívio do dia-a-dia que se descobre que não se pode mudar o outro. Como ninguém é perfeito, os defeitos têm que ser compatíveis. Afinal, virtude sempre é bom – ter e admirar no outro. É muito fácil ser legal quando está tudo bem; o crítico é ser supportive em circunstâncias que parecem insuportáveis. Ter um companheiro como o Zé definitivamente foi pré-requisito para pensar em ter filho.
Com o Fernando, tenho aprendido a apreciar cada instante, a prestar mais atenção em tudo, de forma contemplativa, identificando seus hábitos, interpretando seus sinais e percebendo suas mudanças. Ser mãe me faz rever prioridades e tentar fazer tudo com mais eficiência, me faz buscar disposição mesmo quando estou bem cansada e/ou com sono. Nessa fase, em que ele é totalmente dependente de nós, exercito dedicação, almejando que ele faça jus ao seu nome: siga com coragem e tenha discernimento.
Estou curtindo muito ser mãe, apesar das dúvidas que surgem a todo momento. Afinal, a cada instante nosso filho nos surpreende com alguma novidade: no sábado, por exemplo, brincando com ele, testei deixá-lo sentado. E ele ficou! A verdade seja dita, somente por alguns segundos e logo tombou para frente, e depois para o lado, sem reclamar. No dia seguinte (dias das mães!), ele já ficou por mais tempo.

Pode soltar, mamãe!
Viu? Já consigo sentar!











Neste dia das mães, fomos à casa de meus pais, onde encontramos o tio Tuti, a tia Simone e a priminha Bia. À noite, estava me preparando para amamentar, quando o Fernando chega, nos braços do Papai, beliscando um embrulho: toy story 3, encerrando meu dia feliz.

Que mamãe feliz!


Helene

terça-feira, 10 de maio de 2011

Amamentação quase exclusiva

                O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo durante os 6 primeiros meses de vida. Recomendação é uma palavra escorregadia... não tem força de lei e nem sempre corresponde aos nossos desejos. Por exemplo, muitas mães gostariam e poderiam seguir tal recomendação, mas têm apenas 4 meses de licença maternidade.
                No meu caso, tenho a licença de 6 meses, mas amamentar não tem sido fácil para mim nem parece estar sendo o suficiente para nosso filho...não encontro um termo para me expressar em relação a isso. É uma mistura de pensamentos, sentimentos e sensações, não muito confortável, eu diria. Racionalmente eu planejei seguir essa recomendação e me senti privilegiada com meus 6 meses de licença, seguidos de férias. Além dos benefícios para o desenvolvimento do nosso filho, amamentar me desenvolve como mãe. É um momento de dedicação exclusiva a ele, de contemplação, observação, reflexão e interação.
Lamento ter sofrido com dores entre as mamadas, mas isso não abalou minha decisão de amamentar por 6 meses. Porém, não me preparei para a possibilidade de que a amamentação fosse insuficiente para o bom desenvolvimento do Fer. Dizem que o bom é inimigo do ótimo. Ele vem se desenvolvendo bem; porém, seu peso inadequado para a estatura me faz questionar se ele se desenvolve aquém de seu potencial. E se isso ocorre por algum erro meu.
Desde que o pediatra falou em introduzir alimentos, tenho recapitulado esses meses. Será que devia tê-lo acordado mais vezes? Será que deveria ter prolongado mais cada mamada? Será que deveria ter oferecido ambas as mamas a cada mamada? Será que os intervalos entre as mamadas deveriam ter sido mais curtos?
Ao mesmo tempo, fiquei com uma sensação de estar no começo do fim dessa fase. Já?
Perguntando aqui e ali, descobri que a introdução de alimentos no 4º, 5º ou 6º mês é mais regra do que exceção e os bebês continuaram com o aleitamento materno por mais tempo.
Na 1ª tentativa, frustrada, de alimentá-lo com meia banana, parecia que ele não estava preparado para aprender a comer. A banana estava escurecendo no prato, caindo na roupa e nada dele engolir... e as caretas? Foi a descoberta de vários músculos faciais!
Na 2ª tentativa, já fiquei mais animada com o progresso – comeu o equivalente a 1 rodela - e me preparei para ir dia a dia, de rodela em rodela. Porém, na 3ª tentativa, ele comeu tudo! Daí me perguntei: será que ele tem passado fome? Será que vai querer mamar mais tarde?
Mamou. Depois, ri de mim mesma. Adoro banana! Por que ele não haveria de gostar? Já tem dentes, e ele tem passado por tantas mudanças, então por que não enriquecer sua alimentação? Passei a ver com bons olhos e indicação de iniciar a alimentação, mais aliviada em constatar que não interferiu (ainda) na amamentação. E lembrei-me do quanto é importante seguir o rumo das mudanças, sem apego a esse ou àquele momento ou fase (mas espero que ele continue mamando bem até os 6 meses, pelo menos). Afinal, ele aprendeu rapidamente a comer e é bom poder acompanhá-lo de perto nessa transição ainda antes de eu voltar ao trabalho.
Helene

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dia dos Meninos!

Hoje, 5 de maio, se comemora o dis dos meninos no Japão. Hoje é o dia do Koi Nobori, o dia em que se hasteiam as carpas nas casas que têm meninos. Como já descrevi em um post antigo, meu sogro comprou as carpas para que pudéssemos hasteá-las nessa ocasião e ontem ele ligou nos lembrando do fato. Elas haviam ficado hasteadas no ano passado na época do nascimento de nosso filho e com o passar do tempo, o vento acabou estourando o cordão que as prendia à haste. Aproveitei para consertar logo pela manhã, antes que meus sogros chegassem.
Hoje cedo, enquanto consertava o cordame, meus sogros apareceram para hastearmos as carpas e visitar nosso filho.
Meu sogro tentou achar uma comida típica dessa data no Japão, mas não conseguiu achá-la em nenhum lugar, sendo que em muitos lugares de comida típica eles nem sabiam o que era.
Logo que hasteamos não havia vento, mas no meio da tarde quando fomos dar nossa volta com nosso filho o vento soprava e pudemos mostrá-las "nadando" para nosso filho.
Os homens da família

Vovô e vovó Ueno

Meus pais


KoiNobori


quarta-feira, 4 de maio de 2011

5º mês

Ele parece ter compreendido a conversa com o pediatra (de fato, prestou muita atenção no doutor!). Somente no primeiro dia tive que acordá-lo por volta da meia-noite. Depois, ele passou a acordar sozinho. Assim, continua dormindo bem: das 19 à meia-noite e, depois da mamada dos sonhos, dorme até 5 ou 6 horas.
Voltamos ao HU dia 29/abril e, embora tivesse crescido 0,5cm nessas 3 semanas, só engordou 200g. Por isso, o pediatra disse para oferecermos meia fruta, entre a 1ª e a 2ª mamada da manhã. Se bem adaptado, após uns 3 dias, substituir a mamada do meio-dia por almoço e, posteriormente, o jantar. Esse assunto merece um post específico, mas por hora, fica o registro inicial: sábado, dia 30, amassamos meia banana, que o Erik adorou!... Domingo, conseguimos dar o equivalente a 1 rodela. 2ª-feira ele comeu meia banana!
Nesse mês ele passou a dormir menos durante o dia. Ainda tira uma soneca de 1 ou 2 horas uma vez por dia. Fora isso, mais 1 ou 2 cochilos de até 1 hora. Ele mesmo fica bem cansado no final da tarde, mas não se rende ao sono!
A chupeta perdeu a graça. Aliás, a brincadeira é arrancá-la e jogar para qualquer canto do berço ou cuspi-la. E o polegar esquerdo continuar sendo delicioso! Ele consegue chupar o dedo embrulhado, pelo buraco do mordedor, intercalando com meu peito enquanto mama, deitado de barriga para baixo, abraçado aos seus brinquedos... não cedemos, mas ele tem sido insistente.

Testando meus dentes

Já tirei a chupeta.











Rolar e rodar no berço é mais comum, seus 2 dentes já são bem visíveis quando ri ou chora e ele não tem idéia da força de sua mandíbula. Ainda bem que os mordedores não dizem “ai” – estão todos cheios de marcas de dentes! Tudo ele pega e leva à boca – inclusive meus cabelos, nossa mão, além de seus brinquedos.
1 mês - no carrinho, com as almofadas "segura-nenê"
4 meses - ninguém segura esse Nenê!
               
              









 Sempre que está deitado, no carrinho ou bebê conforto, estendo as mãos para ele pegar. Abrindo os braços, às vezes estremecendo, ele segura firmemente meus dedos e se levanta, com um sorriso triunfante!
                Ele também interage mais com o Erik. Quando o Erik se aproxima, ele o agarra e, como não consegue puxá-lo, seu corpo se projeta para cima do Erik, que recebe o “carinho”. O Erik pede carinho, apoiando a cabeça na barriga do Fer. Entregamos os biscoitos do Erik para o Fer que, obviamente, quer experimentar a iguaria. O Erik fica diante dele, sentado, dando a pata, babando e aguardando o biscoito ser oferecido a ele. Por outro lado, o Erik cobiça os brinquedos do Fer. Seus favoritos são o porquinho Pururuca e os de brincar na água que a tia Simone deu – um fusca, um táxi, um avião e um navio. Resolvemos dar o fusca para o Erik, mas outro dia, ele roubou os outros. Pegamos de volta e guardamos no armário, diante do qual o Erik fica chorando o dia todo!


interagindo com o Erik
o Erik roubou meu fusca!
Erik, o Pururuca é meu...
           

                Nesta semana ele descobriu que tem pés. Sempre brinco com seus pés, especialmente se percebo que ele está com cólica. Agora, ele consegue segurar o pé sozinho. Logo, logo vai conseguir levá-lo à boca.
                Como ele passa mais tempo acordado, não dá para ficar sem passeio. Quando chove ou no horário de sol forte, ele nos acompanha no supermercado, no carrinho ou no canguru. Outra distração é um tapete todo colorido, próprio para criança, que colocamos sobre o tatami, que não é tão mole quanto o colchão nem tão duro e frio quanto o chão. Nele, o Fer fica de barriga para baixo, olhando os desenhos, erguendo o tronco, às vezes apoiado num braço só para deixar o outro livre, para chupar o polegar ou alcançar algum brinquedo. Quando se cansa, rola com facilidade, mas ainda não consegue voltar a ficar de barriga para baixo. É só uma questão de tempo. Pouco tempo.
Helene
Vejam meus dentes!


Cansei de ficar de barriga para baixo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

4 meses e 4 dias

Dia de consulta no HU (não íamos lá desde 19/jan). E quantas novidades! O atendimento não é mais na UBAS nem feito por residentes; fomos encaminhados ao ambulatório e atendidos por um pediatra, jovem e decontraído.
Nosso filho continua próximo da média em estatura (61cm) e perímetro cefálico (40,5cm), mas o peso (5300g) já está no limite inferior e o IMC, abaixo da faixa de normalidade. Por isso, pediu retorno em 15 dias para reavaliar o peso. Até lá, ele pediu que reavaliássemos os horários de mamar: durante o dia, intervalos de 2 a 4 horas; à noite, não ultrapassar 6 horas. Se não ganhar peso adequadamente, complementaremos a amamentação com alimentos.
De fato, ele às vezes até dava uma gemida durante a noite, mas nos condicionamos a descartar outras causas de choro (desconforto, fralda suja, frio, calor) antes de pensar em fome. Se ele se acalmava e voltava a dormir sem reclamar, deixávamos. Taí algo em que ele se parece comigo: quando estou com sono e com fome, durmo e me esqueço da fome. Assim, agora, ofereço o peito por volta da meia-noite. E ele mama muito bem! E depois volta a dormir, sem problemas.
Quanto ao dente, ele disse que nosso bebê está seguindo os livros-texto: dentes a partir do 4º ou 5º mês. Avaliou seu desenvolvimento geral: “super esperto”, disse o médico. Para não deixar dúvidas, ele até rolou na maca! Me dei conta de que ainda usava a almofada “segura nenê” para deixá-lo dormir de lado, ou mesmo de barriga para baixo. Na 2ª testei não usá-la e ontem ao amanhecer, ele havia rolado e rodado no berço.
Outra pergunta: vocês dão chupeta? Então...resistimos bravamente, mas na noite anterior resolvemos testar. Pretendíamos aguardar pela consulta, mas no fundo, já havíamos decidido que era melhor do que deixá-lo chupando o dedo. Queremos que dormir seja um momento gostoso para ele, que ficava irritado por não poder chupar o polegar até pegar no sono.
Assim, na noite anterior, depois de mamar, arrotar, limpar o dentinho e embrulhar a mão esquerda, eu o coloquei no berço e ofereci a chupeta. Ele pegou na hora, sem estranhamentos, e dormiu sem dar um pio! Depois de uns 15 minutos parecia estar em sono profundo. Tirei a chupeta e ele reclamou. Devolvi. Após uma hora, tentei tirar novamente e, ao me aproximar, ele arregalou os olhos e me encarou como quem diz: Tô de olho em você! Nem vem que essa chupeta é minha!”. Deixei para lá. Antes de dormir, fui vê-lo e já estava sem chupeta, dormindo com o um anjo.

consegui livrar a mão!

pantufinha na mão e chupeta na boca!




            O pediatra disse que para o bebê, chupar chupeta equivale a comer um chocolate para nós. Hmm, deve ser bom mesmo, então! Só nos alertou para oferecer de forma controlada (como devemos fazer com chocolate). Isso nós já havíamos combinado, seguindo o exemplo da Rose com a Nina: chupeta, só na horizontal. Ao deitar, de dia ou de noite, oferecemos’. Antes de sair do berço, tiramos. Durante o dia, no balanço, bebê conforto, colo ou carrinho, não.
Na verdade, a partir do 2º dia, ele já cuspia a chupeta, protestando: prefiro colo, prefiro meu polegar. De lá para cá, tem dias que ele curte mais, outros, não. Às vezes dorme sem reclamar, outras vezes, chora um pouco... ou muito, até grita, mas nunca leva mais que 15 minutos para pegar no sono e sempre acorda sem a chupeta.
gostoso!
O Papai comprou um mordedor de gel – ele já segura e leva à boca. E morde, como morde! Está todo riscadinho...impressionante o desenvolvimento dele nessas últimas semanas: várias formas de encontrar o polegar e levá-lo à boca, estender o braço para alcançar algum objeto ou levantar o tronco quando está de bruços, observar movimentos, interagir conosco, testar a própria voz e sons com a garganta e os lábios, enfim, uma fase de grandes descobertas e invenções!


Helene





brincando com a boca


Tem alguém aí? Já acordei, quero levantar!
 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

4º mês

 Dia 4, mês 4, 4º mês de vida. Dia de vacinas, a 2ª dose das mesmas vacinas que haviam provocado febre no 2º mês... após um tempo de espera (a mais longa desde a 1ª vez que fomos ao posto), um choro de perder o fôlego, um dia diferente da rotina dele (sem a soneca da tarde), ele pareceu bem até a mamada pós banho, antes de dormir, quando começou a chorar e se contorcer enquanto tentava mamar. Desta vez, não esperamos: demos paracetamol (com corante e adoçante, fazer o quê?...), pois pensamos que o problema nem fosse a febre (que não chegou a ter desta vez), mas a dor. Se nós ficamos prostrados, imaginem ele?
As novidades desse mês que passou incluem a consolidação da rotina, e decidimos não acordá-lo durante a noite, após 3 ou 6 ou quantas horas fossem. Outra mudança é que passei a dar a última mamada do dia com a luz acesa. Isso porque essa mamada equivale ao jantar, e não jantamos no escuro. Assim, depois dessa mamada, ele passou a ir para a rede, no nosso quarto, acordado. E logo depois, dormia, quase sempre sem reclamar.
No dia 16 de março, passamos no pediatra: 5100g e 60cm. Nesse dia, durante o passeio da manhã, ele descobriu o polegar esquerdo! Encaixava direitinho e chuip, chuip, chuip...corrigimos na hora, lembrando que a pediatra do HU havia alertado: a mão pode, o dedo, não! Foi um passeio e tanto: ele encaixava o dedo, a gente tirava. Sem brincadeira, foram umas 20 ou 30 vezes! De lá pra cá, tem valido tudo: enrolar a mãozinha dele no babador, enroscar os bracinhos nos brinquedos e até coloquei a pantufinha de toalha que a tia Simone deu na mão. Ele parecia não se incomodar e chupava a mão direita (toda).


que gostoso!
 

cadê meu polegar?

No dia 17, participei de uma banca de doutorado na FSP e ele se comportou super bem, entretido pelo papai, com direito a visitar a Biblioteca, a Revista, os departamentos, participar da festa oferecida pela recém-doutora e conhecer vários amig@s da mamãe.
E no dia 18, retomei minhas aulas de francês, confiando no sono noturno dele.
Ufa, aquela foi uma semana e tanto!
Nessas duas últimas semanas, ele tem alterado os horários de acordar durante a madrugada. Ao invés de acordar meia-noite, às vezes acordava 1 ou 2 da manhã e depois, quando o dia já começava a clarear. Ou, acordava meia-noite, mas depois, ao invés de acordar por volta das 3h, passou a acordar 4h ou 5h. Após essas mamadas, passei a deixá-lo no berço, no próprio quarto. Teve um dia que ele dormiu por 9 horas direto! Com essas mudanças, eu acabava vigiando o sono dele. Ficava trabalhando até 1, 2 da manhã, esperando ele acordar. Só um dia consegui dormir por 6 horas seguidas, o que não acontecia desde o dia que voltamos no HU!
Hoje, pela 1ª vez, ele dormiu no berço, no próprio quarto desde o começo da noite, pois ele ainda ficava no nosso quarto durante o que ainda é o período mais longo de sono: por volta das 18 à meia-noite. No começo, ele dormia na rede, no nosso quarto, durante toda a noite e só ficava no berço para as sonecas durante o dia.
A outra novidade: no chororô da tarde, ele segurou minha mão e levou à boca. Gente, tem uma serrinha na gengiva! Já estava apreensiva com a possibilidade dos dentes nascerem logo, pois ele passou a babar muito nesse último mês, mas o médico disse que era normal. Sempre limpo a gengiva dele, mas com o dedo envolvido na fralda, não havia percebido...
Continuei sofrendo para amamentar e tudo parecia estar piorando quando recebi orientação da minha parceira de treino, Margareth, que é dermatologista. Na verdade, senti um certo alívio só dela examinar e dizer: nossa, você deve estar sofrendo! Foi como assopro seguido de beijinho no joelho ralado de criança. Finalmente alguém entendeu o que eu sentia! Venho tratando e melhorando, aos poucos. A natureza é sábia: durante a amamentação, não sinto dor. Acho que é a magia da interação com meu filho, ver o quanto ele cresceu e se desenvolveu somente com meu leite, sentir as mãozinhas segurando a mama (no começo eram os braços!), o olhar atento em mim, um sorriso quando brinco... mas quando ele se sacia, lá vem aquela dor, agora menos intensa, menos persistente...
Nesta semana temos consulta no HU e vamos esclarecer nossa dúvida: nos rendemos à chupeta? Ainda estamos resistindo, mas nesses últimos dias, ele aprendeu a livrar o polegar e fica nervoso, grita, quando não pode chupar seu delicioso polegar esquerdo (ainda não descobriu que tem outro na mão direita...).
Helene

Recuperação da Mamãe

Brinquei muito que nosso filho foi reprovado ao nascer no quesito cor e ficou de recuperação na avaliação de peso. Mas e a mamãe, como pode ser avaliada?
Considero que a gravidez foi ótima: o ganho de peso ficou entre 8 e 9kg, sem enjôo no 1º trimestre, sem edema, sem maiores problemas, fora uma gripe forte no início de cada trimestre. O parto impressionou os médicos do plantão, por causa da minha dilatação em curto intervalo de tempo, embora eu tenha passado horas com aumento de contração sem dilatação.
A recuperação pós-parto foi ótima! Meus pontos da episiorrafia começaram a cair ainda na maternidade e quando o umbigo do Fernando caiu, em 13 de dezembro, percebi que eu já não tinha mais pontos. Mas no final do 1º dia eu já me sentei na cama, cruzei as pernas, caminhei, sem dor, sem problemas. Quando fomos avaliar o peso do Fer em 9 de dezembro, eu já tinha perdido 6kg! No final de janeiro, já pesava menos do que no início da gravidez. Voltei a usar minhas calças de antes da gravidez, mas apesar do peso ter voltado, a configuração é diferente... Em poucas semanas, eu já achava que dava para voltar a caminhar, retomar alguma atividade física. Esperei pela prudente recomendação de 1 mês, embora já estivesse como um furacão pela casa desde o dia em que voltamos do HU. Quando finalmente cumpri esse prazo, simplesmente eu não tinha disposição! Apesar da saudade dos treinos, a sensação era de que eu desmaiaria se tentasse treinar.
Lembro que brincávamos com os amigos recém-papais e mamães: dormir por 8 horas ou em 4 turnos de 2 horas são coisas completamente distintas! E é verdade. Eu ficava quebrada. Às vezes tinha sono, o Fer dormia, mas eu não conseguia dormir porque não era um horário habitual para mim; outras vezes, tinha sono e oportunidade de dormir, mas não conseguia por causa das dores da amamentação (infelizmente isso ainda acontece). Definitivamente, dormir e descansar são coisas distintas. Aos poucos, fui aprendendo a desligar e descansar em qualquer horário, a ponto do Zé me chamar e eu reagir como nosso filho quando é acordado: onde estou? o que está acontecendo? por que tenho que acordar?
Nunca gostei de acordar cedo, mas sempre consegui funcionar adequadamente para assistir ou ministrar aulas pela manhã. Apesar das madrugadas interrompidas, consigo acordar bem, se logo depois da mamada dos sonhos do Fer eu também durmo mais um pouco. Porém, às vezes, fico rolando por uma hora até conseguir dormir. Aí na manhã seguinte estou quebrada!
Nesses dias parei para pensar sobre as mulheres que retornam ao trabalho após 4 meses de licença maternidade. Deve ser terrível em todos os sentidos! O bebê é muito pequeno e o sono da mãe, muito curto e leve. Uma boa noite de sono perdida não tem recuperação. Por sorte, terei 6 meses e depois, emendo férias. Ainda assim, vou achar que o pequeno é muito pequeno e muito provavelmente, ainda estarei com noites de sono curto e leve...
Fico feliz em ver que o Fer dorme bem durante boa parte da noite, e tem seguido uma rotina bem estruturada, que me permitiu voltar a treinar em fevereiro, com direito a um banho gostoso e jantar com calma, enquanto nosso filho dorme. A exceção foi a 1ª vez que tentei treinar – pusemos a babá eletrônica e aos 5 minutos do aquecimento, ele chorou...
Ainda me sinto fora de forma, tenho dores nas costas, mas aos poucos, vou me recuperando. Atualmente estou fazendo compressas quentes em pontos de acupuntura, para recuperar a energia perdida no parto. De maneira incrível, as dores nas costas deram trégua.
Pensei bastante antes de voltar para o francês (18/03): por um lado, penso que devo aproveitar todo o tempo da licença maternidade para nosso filho; por outro, penso que retomar algumas das minhas atividades, ver gente, praticar minha atividade física, sair de casa um pouco, me faz bem e, principalmente, me permitirá uma transição para a volta ao trabalho. É um exercício de autonomia para mim e para nosso filho.
Não consegui me desligar da escola, embora me permita ficar uns dias sem abrir email e deletar alguns sem ler, quando identifico que o assunto não me diz respeito nessa fase. Em dezembro ainda tinha provas de recuperação para corrigir, em janeiro tinha relatório para entregar, em fevereiro, uma tese para ler e por aí vai...eu desconfiava que não conseguiria me desligar, pois eu sinto falta dos colegas e alunos!
Como disse, sou uma propensa à felicidade: amo minha vida, meus pais, irmãos e sobrinhos, meus amigos e amigas, meu trabalho, o aikido e, acima de tudo, minha família: Zé, Erik e Fernando Akira! Tudo meio fora de ordem, demandas de trabalho, sono perdido, mas tudo me parece bem!